Por Patrícia Tolfo
A OpenAI informou em 2 de novembro de 2026, em um evento da empresa em Nova York, que o volume de consultas do tipo busca feitas no ChatGPT equivale a cerca de um quinto do volume do Google [1][2]. Na mesma conversa, Adam Fry, líder de produto de consumo do ChatGPT, disse que o serviço passou de 1 bilhão para 1,2 bilhão de usuários semanais em dois meses [1]. São números da própria OpenAI sobre volume de consultas; não medem participação de mercado nem o desempenho de uma marca específica.
O que a OpenAI anunciou
- Busca: segundo Fry, o ChatGPT conta como busca toda pergunta que leva a uma pesquisa na web, como procurar uma pessoa, um lugar, um produto ou uma informação atual de finanças ou saúde [2][3].
- Usuários: 1,2 bilhão por semana, cerca de 200 milhões a mais do que dois meses antes [1].
- Voz: 250 milhões de usuários semanais somando ditado e conversa falada [1].
O que o número não diz
A OpenAI não informou de onde tirou o volume do Google, e a comparação é entre consultas, não entre pessoas [2][3]. Também não disse se várias perguntas na mesma conversa contam como buscas separadas [3]. Uma estimativa independente, da plataforma de SEO SEOClarity, coloca o ChatGPT perto de 7,5% do volume do Google [3]. Não há, nas fontes consultadas, recorte para o Brasil.
Ou seja: a direção é clara, a medida exata não. Vale tratar o 20% como sinal de comportamento, não como métrica para planejar mídia.
Como isso se diferencia do Modo IA do Google
Na semana passada, comentamos aqui os dados do Google sobre o Modo IA, em que as consultas ficam mais longas e conversadas (O que buscas mais longas no Modo IA do Google indicam para as marcas). Ali, a mudança acontecia dentro do próprio buscador. Agora a questão é outra: parte das perguntas que antes iam para o Google está sendo feita fora dele, em um assistente que responde e resume, e que nem sempre leva a pessoa até o site.
O que isso implica para a comunicação da marca
1. A primeira resposta pode não ser o seu site. Quando a pessoa pergunta a um assistente “qual a melhor opção para…”, ela recebe um resumo. A marca entra se for citada, não só se estiver bem posicionada numa lista de links.
2. Informação clara e atualizada pesa mais. Assistentes que pesquisam na web precisam encontrar dados objetivos: o que a empresa faz, para quem, onde atende, preços ou faixas quando for o caso, perguntas frequentes respondidas de forma direta. Páginas vagas ou desatualizadas dão pouco material para a resposta.
3. Consistência entre canais. Site, perfis, cadastros e materiais de imprensa que dizem coisas diferentes confundem quem resume. Uma mesma descrição da empresa, repetida com coerência, reduz o risco de a IA descrever a marca de forma errada.
4. Vale perguntar antes de medir. Uma forma simples de começar é fazer ao ChatGPT as perguntas que seu cliente faria e anotar se a marca aparece, como é descrita e quais fontes são citadas.
Exemplo hipotético: uma clínica regional pergunta ao ChatGPT “onde fazer exame X em [cidade]” e descobre que a resposta cita um endereço antigo, retirado de um cadastro desatualizado. A correção não é campanha: é atualizar a informação na origem.
O que acompanhar
- Se a OpenAI ou terceiros publicarem metodologia mais clara para o número.
- Se surgirem dados de uso no Brasil.
- Se a origem do tráfego do seu site já mostra visitas vindas de assistentes de IA.
Fontes
[1] Big Technology, “OpenAI: ChatGPT Search Is About 20% of Google’s, 250 Million People Speak With ChatGPT, and Chat Is Merging With Work”, 3 nov. 2026. https://www.bigtechnology.com/p/openai-chatgpt-search-is-about-20
[2] The Verge, “OpenAI says ChatGPT is catching up to Google in search”. https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/1025482/openai-says-chatgpt-is-catching-up-to-google-in-search
[3] Search Engine Land, “Is ChatGPT really handling 1 trillion searches a year?”. https://searchengineland.com/chatgpt-1-trillion-searches-500589